7 de dezembro de 2011

ESTUDO DE DANIEL 8

De uma forma retrospectiva, vejamos o quanto esta estrutura já nos mostrou no desenvolvimento dos acontecimentos proféticos, até ao momento presente:
1. Babilónia
2. Medo/Pérsia
3. Grécia
4. Roma Imperial
5. Roma dividida
6. Roma papal (Papado)
7. Juízo Investigativo
8. A 2ª vinda de Cristo
Em função do quanto já analisámos, tal como este quadro nos mostra, qual será o último poder que dominará o mundo nos últimos dias da história desta Terra, antes da 2ª vinda de Cristo? Sem sombra se dúvida que será Roma papal, como já o referimos anteriormente.
Aqui, em Daniel 8, não existe um símbolo para Babilónia, como até aqui. As opiniões acerca deste facto divergem. Alguns dizem que se a referência ao seu nome está omissa é porque Babilónia estaria para cair dali a poucos anos. Mas, existe uma outra razão para justificar a omissão do seu nome. No livro do Apocalipse, que estudaremos mais a baixo, acontece a mesma coisa, ou seja, são mencionados os primeiros poderes, depois são omitidos, em especial, os últimos. Nas profecias não é de primordial importância os que vieram primeiro e depois caíram, mas sim, onde estamos a viver em relação ao tempo profético. Por esta mesma razão, em Daniel 8, não existe qualquer símbolo ou espaço para Babilónia. Esta está prestes a cair, e para “um observador atento como Daniel, por certo poderia haver discernido que os dias do império estavam contados”, pois o seu tempo, a sua importância para a profecia deixou de ser relevante.
a- Medo/Persa
Este capítulo abre com a referência ao poder seguinte ao de Babilónia – o Medo/Persa – cujo símbolo é um carneiro. Este animal aqui representado tem dois chifres os quais apresentam diferentes particularidades que mais não são do que a continuidade do quanto sobre este mesmo poder é referido anteriormente. Um deles é mais alto do que o outro – v. 3. Que paralelo existe entre este animal e o urso, do capítulo 7? No urso, um lado era mais alto do que o outro; aqui, no carneiro, um chifre é mais alto do que o outro. Aqui temos a junção de dois reinos em que um é mais importante do que o outro. Como sempre, apesar do uso de símbolos diferentes, está sempre presente o mesmo poder, a mesma coligação que formará o Império Medo/Persa – v. 20. Este carneiro – v.4 – dava marradas para o: 1- Ocidente: 2- Norte; 3- Sul – o equivalente às 3 costelas que o urso tinha na sua boca – Daniel 7.5. O único elemento novo aqui é o símbolo, pois a lição é precisamente a mesma.
b- Grécia
“E estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar o chão; e aquele bode tinha uma ponta notável entre os olhos” – v. 5. Quem está aqui representado por este chifre
notável? O próprio texto encarrega-se de nos dar a resposta: - “(…) e a ponta grande que tinha entre os olhos é o primeiro rei” – v. 21. E quem é este 1º rei? A História profana dá-lhe o nome de - Alexandre Magno. Segundo o texto bíblico, este animal desloca-se a tal velocidade – “sem tocar o chão”. Este pormenor mostra claramente que as suas campanhas militares seriam executadas com uma tremenda e invulgar rapidez. A História não fez mais do que confirmar esta predição profética, na medida em que este rei foi apelidado de “raio de guerra”.147 Recorde-se que, no capítulo anterior é referida a mesma ideia, visto que ali, o que símbolo deste mesmo poder era um – leopardo - e este tinha 4 asas – Daniel 7. 6.
O texto profético continua e diz: - “E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada; e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu” – Daniel 8.8. Aqui encontramos um interessante pormenor, pois é referido que algo, de repente aconteceria a esta personagem, pois quanto menos se esperava, eis que “estando na sua maior força” acontece um imprevisto. Na verdade, uma vez mais a História confirma esta extraordinária precisão do profeta, pois ela dá-nos a conhecer que este extraordinário rei – Alexandre Magno – no auge do seu poder e na força da sua idade, com cerca de 30 anos, morre,148 e como tudo aconteceu repentinamente, não deixou qualquer indigitação de sucessão.149 Este Alexandre Magno foi, de facto, uma figura ímpar por tudo o quanto o caracterizou.150
De seguida é dito que “subiram no seu lugar quatro também notáveis”. Estes eram os seus 4 generais – Seleuco, Cassandro, Lisímaco e Ptolomeu - os quais repartiram entre si o vasto Império de Alexandre. Uma vez mais estamos perante uma descrição de eventos históricos paralelos com os relatados em Daniel 7. Aqui, como no capítulo anterior, o profeta está a falar do mesmo poder – a Grécia.
c- Síntese
Neste capítulo é ventilado um período longo de tempo – 2.300 tardes e manhãs – período este que está relacionado com o Santuário – Daniel 8.14. No contexto próximo aparece um ser celeste que toma a palavra e pergunta: - “Até quando” – v. 13 - o chifre pequeno pisará a Tua verdade? A resposta não se fez esperar, ouvindo-se: - “(…) até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado” – v. 14. Ou seja, tudo se irá regularizar, finalmente, no Juízo. Aqui é ventilado, como acabámos de ver, um longo período de 2300 tardes e manhãs, ou seja – dias/anos. Para já, façamos uma simples pergunta: - quando começa este longo período? E em que reino? Este período começa na fase Medo/Persa. É por esta razão que o capítulo 8 de Daniel não começa com Babilónia. Na verdade, se tivesse começado com a referência a esta entidade e se tivesse feito a pergunta: - “Até quando” e se obtivesse a resposta: - “(…) até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado” haveria confusão porque se pensaria que, este período longo de tempo – 2.300 anos – começaria com Babilónia.
Vejamos Daniel 8.9: - “E de uma delas152 saiu uma ponta mui pequena, a qual cresceu muito para o meio-dia, e para o oriente, e para a terra formosa”. Feito esta pequena observação, o chifre, esta “ponta mui pequena” surge, portanto de uma destas direcções e não, como aparentemente podia deixar transparecer – das 4 pontas (chifres) mencionadas no versículo anterior. Assim, “esta relação entre o pequeno chifre e os quatro ventos dos céus indica que o sítio, a localização, de onde sai o chifre pequeno é um dos quatro animais do capítulo 7, mais precisamente o quarto animal, que o autor voluntariamente passou sob silêncio no capítulo 8”.
Aqui encontramos a menção, de novo, do chifre pequeno. Neste capítulo, este apresenta duas etapas, tal como no passado - o ferro. 1ª etapa - representa Roma Imperial – Daniel 8.9. Aqui é dito que este chifre pequeno estende-se pela terra, geograficamente falando. Aqui nada tem que ver com a vertente religiosa mas, unicamente com a política. As suas conquistas estão orientadas para 3 direcções. É-nos mostrado que conquista: -1- na direcção do Sul, ou seja, - o Egipto; 2- na direcção do Oriente – a Síria; 3- aponta na direcção da terra formosa – a Judeia. A História cumpriu-se exactamente como aqui refere, portanto, com Roma Imperial. Roma conquistou a Síria, em 65 a.C., a Palestina em 63 a.C., e também o Egipto – depois de um longo protectorado - em 30 a.C.; 2ª etapa – segundo Daniel 2 – pernas de ferro – e de Daniel 7 – o dragão – depois deste poder duplamente representado com símbolos diferentes, levantar-se-ia um poder que, como vimos, não era unicamente político mas também religioso. Este chifre que se engrandeceu, politicamente – Roma Imperial – de repente faz outra coisa, pois não somente conquista a terra, como também vira a sua atenção para as coisas de Deus, para o religioso.
Vejamos o v. 10,11:- “E se engrandeceu até ao exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, deitou por terra, e as pisou. (11)- E se engrandeceu até ao príncipe do exército, e por ele foi tirado o contínuo e o lugar do seu santuário foi lançado por terra”. Que tipo de actividades são estas? Claro, religiosas. O chifre pequeno também tem duas fases, a exemplo do ferro que se encontra na estátua de Daniel 2: - 1ª- nas pernas; 2ª nos pés/dedos. Desta forma, o chifre pequeno de Daniel 8.9-12 tem uma dupla aplicação. Este também é o chifre pequeno que saiu do meio dos 10 chifres mencionados em Daniel 7.8,24.
Façamos, para já, um breve ponto da situação, do quanto analisámos até aqui: 1- Já vimos a razão pela qual Babilónia não está mencionada neste capítulo 8; 2- Já vimos que tanto o carneiro (cap. 8) como o urso (cap.7) representam o mesmo poder; 3- que o bode (cap. 8) assim como o leopardo (cap.7) representam o mesmo poder; 4- que o chifre pequeno, na sua primeira fase, estende-se política e historicamente como Roma Imperial; 5- que o chifre pequeno, na sua segunda fase, comporta actividades religiosas – que é a mistura do ferro/barro de oleiro (Daniel 2) – e o chifre pequeno que se levanta entre os 10 chifres (Daniel 7.8,24).
Em função desta exposição dos factos que permitem perceber uma mesma estrutura entre os diferentes capítulos, somos convidados a questionar-nos acerca do próximo acontecimento. Na verdade, à luz do cenário já analisado, qual poderá ser a próxima etapa? A nosso ver, parece-nos faltar o – Juízo. O tempo em que se realizará o juízo do chifre pequeno – quando Deus vai julgar. E onde podemos ver este cenário? Precisamente aqui, neste capítulo 8. O verso 13 faz ecoar a pergunta: - “(…). Até quando” este chifre pequeno, este poder, fará a sua vontade, pisando a Verdade? A resposta, como sabemos é clara: - “(…). Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado” . Mas tratar-se-á, em boa verdade, de uma purificação propriamente dita neste preciso contexto? Como vimos, a palavra hebraica “nitsdaq” aqui vertida por “purificado” não espelha o que está em causa, na medida em que o serviço do santuário foi por este poder – chifre pequeno – “tirado”, usurpado – v. 11. Como haverá, a seu tempo, um reaver do que foi tirado, assim sendo, o santuário, no fim deste período profético seria, finalmente, não tanto “purificado”, mas sim, fazendo justiça, não só a uma melhor tradução desta palavra, como também mais consentânea com o contexto do Santuário, visto que este, finalmente, retomará a sua função anteriormente usurpada, do Céu à Terra; assim sendo, a palavra “nitsdaq”, deverá ter esta tradução: - restabelecido. O santuário seria, finalmente, restabelecido nos seus direitos. No passado, no seio das festas litúrgicas judaicas, o Santuário era, efectivamente purificado de tantos pecados acumulados ao longo do ano. Aqui, repetimos, neste preciso contexto de Daniel 8, trata-se, não só da reposição do Santuário de onde foi “tirado”, isto é – do Céu – como também da reposição da sua função, ou seja, deixar de ser exercida pela pessoa humana, mas unicamente por Cristo, o verdadeiro e legítimo nosso Sumo-Sacerdote – Hebreus 4.14-16; 6.20; 8.1,2; 9.11,12,24.
Na verdade, quando é que se procedia à purificação do Santuário no antigo Israel? Num único dia do ano – Dia das Expiações – Levítico 16.23-34; 23.26-29. Este era um dia todo especial, visto ser um dia de juízo entre os israelitas, pois neste dia eram examinados todos os casos do povo de Deus. Os que tinham confessado as suas faltas eram aceites como filhos de Deus, enquanto que, os que obstinadamente vivessem em rebelião contra Deus eram, simplesmente, eliminados do meio do povo – “Porque, toda alma que naquele mesmo dia se não afligir, será extirpada do seu povo” – Levítico 23.29.
Vejamos, a este propósito, o texto de Daniel 7.13 – “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele”. Neste episódio, onde está o “ancião de dias” – o Pai? Sem margem para dúvida, segundo o contexto imediato, o Pai encontra-se no Lugar Santíssimo, ou seja a 3ª divisão do Santuário israelita, onde, uma vez por ano, era realizada a festa litúrgica que acabámos de referir. No capítulo 8 de Daniel, é dito: - “E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado” – v. 14. Se compararmos estes dois textos aperceber-nos-emos que estamos perante a mesma sequência. A purificação do santuário, como dissemos, realizava-se nesta mesma parte do santuário – o Lugar Santíssimo. Logo após a realização do Juízo, algo extraordinário ocorria, tal como refere Daniel, pois “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo (…)” – Daniel 7.27.
Pelo que pudemos analisar podemos ver, claramente, que as profecias dadas ao profeta Daniel a partir do capítulo 7 são, na verdade, a roupagem do quanto foi anunciado, desde o início, no capítulo 2 – a estátua. Os símbolos são diferentes, mas a lição de fundo é precisamente a mesma assim como o objectivo final do último poder – lutar contra os santos e o próprio Altíssimo – ataque à Sua santa Lei e pela usurpação do Seu santuário. Vejamos este quadro comparativo:
Na verdade, quando comparamos as actividades do - chifre pequeno de Daniel 7 com o do capítulo 8 - encontramos, não só alguns pontos comuns, como também – no capítulo 8 -, outros que indicam, claramente, este crescendo de actividades contra o Altíssimo. Foi este crescendo de informação, à medida que a profecia é dada a conhecer, que nos permitiu ver - através desta estrutura e por etapas sucessivas – o quanto Deus revelou e revela ao Seu povo.

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